Blog Modesto

Os posts-its e apontamentos diários de um rapaz com vinte e poucos anos...

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Nothing Lasts Forever – Capítulo XXII – It hurts but it may be the only way

 




 


“Engarrafamento na 2ª Circular, depois da entrada para o aeroporto devido a um acidente entre um ligeiro e um camião” dizia o rádio. Gonçalo com uma mão na cabeça desesperava. Começou a tocar “This Love” dos Maroon 5, o seu toque de telemóvel. “Catarina Escritório”. Pôs em sistema de alta voz.


- Catarina? – Atendeu Gonçalo.


- Olá Gonçalo – disse Catarina com voz de choro.


Gonçalo não soube o que dizer.


- Ele já embarcou? – Perguntou ela entre lágrimas.


- Já…


Do outro lado da linha, ouvia-se o choro da Catarina.


- Catarina…


- Desculpa… Mas eu não… - Catarina enxugou as lágrimas - Olha eu vou para casa, não te esqueças da tua reunião com o cliente às 18h.


- Estou a ir para aí agora. Estás bem? – Perguntou Gonçalo sabendo a resposta que ia ouvir.


- Estou – respondeu Catarina mentido.


 


Beatriz preocupada com Catarina, fora até ao escritório, que nesse dia esta quase vazio, para a procurar. Enquanto Gonçalo se preparava para a reunião, Margarida, para sua grande surpresa, apareceu para falar com ele.


- Gonçalo?


- Diz Margarida – disse Gonçalo surpreendido.


- Precisamos de falar.


Gonçalo olhou para ela.


- Agora?


- Não quero adiar mais esta conversa – disse Margarida – podemos falar?


- Estou a ouvir.


- Durante toda a minha vida procurei seguir o que era sagrado para mim… O trabalho, a família, mas acima de tudo… O amor! – Margarida fez uma pausa – Quando me divorciei do meu primeiro marido, o que era mais sagrado para mim deixou de o ser… Até que te conheci.


Beatriz procurava Catarina, não a vendo na recepção dirigiu-se até a sala de reuniões. A porta não estava fechada, ao ouvir a voz de Margarida parou e espreitou para dentro da sala. Reparou que Gonçalo estava lá dentro também. Mesmo querendo, algo a impedia de ir embora.


- Quando te conheci – continuou Margarida – tudo voltou a fazer sentido, eu voltei finalmente a sorrir… Contigo, descobri que não me adianta ser a melhor naquilo que faço se não tiver ninguém com quem partilhar.


- Onde queres chegar?


- Gonçalo… Estou disposta a lutar por ti… Disposta a perdoar a tua traição… Mas preciso que tu queiras isso… Preciso que queiras que eu lute por ti…


Margarida agarrou na mão de Gonçalo.


- Não te sintas pressionado a dizer que sim, preciso da tua resposta sincera para poder seguir com a minha vida – Margarida fez uma pausa - como vai ser Gonçalo?


Gonçalo não disse nada, apenas abraçou Margarida. Beatriz ao ver isto baixou a cabeça e foi-se embora de vez.


 


Nessa noite no Bar 29, Gonçalo entrou sem companhia, pela primeira vez, sentou-se no balcão e pediu um copo de uísque.


- Então hoje está sozinho? – Perguntou o barman.


- Hoje estou… E durante algum tempo também vou estar – respondeu Gonçalo.


- Problemas de amor? – Perguntou o barman.


- Não só... Mas sim, o amor… Esse “fogo que arde sem se ver”. Esse vício que me mata cada vez mais… Pobre alma a minha! – Disse Gonçalo ironicamente.


- Acredita na alma? – Perguntou o barman.


- Acho que sim… Porquê?


- De que é feita a alma para si?


- De que é feita? – Perguntou Gonçalo confuso – Não sei…


- Quer saber de que é que eu acho que é feita?


- Do quê?


- Amor.


Gonçalo fica a pensar no que acabara de ouvir. Uma pessoa aproxima-se ao balcão e mete-se na conversa.


- Não vi que estavas aqui…


- Catarina? Que fazes aqui? – Perguntou Gonçalo.


- Apeteceu-me sair de casa.


- Bem… Uma vez que já tem companhia, vou continuar o meu serviço – disse o barman - há muito para fazer e o patrão não me gosta de ver parado.


- Obrigado. – Gonçalo deu um gole de uísque – Estás sozinha?


- Estou… A Beatriz não sabe que estou aqui…


- Então?


- Disse que ia ficar em casa.


- Porque?


- Não quero que os outros tenham pena de mim… O que lá vai, lá vai.


- Já passou, já é passado – acrescentou Gonçalo cantando.


Riram-se.


- Sabes… Tenho saudades dele! – Disse Catarina – Sinto que tínhamos um futuro juntos.


- O amor dá raiva às vezes…


- Digo mais… O amor é mesmo uma merda…


Gonçalo riu.


- Sabes uma vez um rapaz disse-me, que o amor não é uma merda, nós é que os estragamos.


- Para que serve o amor?


- Ainda estou a descobrir.


- Eu também.


Gonçalo bebeu o resto do uísque.


- Queres sair daqui? – Perguntou a Catarina.


 


No dia seguinte.


 


Beatriz acabara de se levantar, eram 6h00 da manhã. Pensou: “Ainda?”. Era tão cedo, mas ela não conseguia estar mais tempo na cama. Ligou a televisão. As noticias da manhã tinham acabado de começar. Sentou-se de pernas cruzadas no sofá. “Ding-Dong”.


- Quem será tão cedo? – Resmungou.


Levantou-se e foi até a porta.


- Margarida? – Perguntou aflita – Que se passa? Está tudo bem com o Gonçalo?


- Sim calma… Preciso de falar contigo…


- Diga…


- Eu falei com o Gonçalo ontem…


- Eu sei, não vale a pena continuar. Eu ouvi um pouco da vossa conversa.


- Ouvis-te?


- Ouvi, peço desculpas. Fui à procura da Catarina e acabei por vos encontrar.


- Não sei o que ouvis-te mas…


- Não se preocupe – interrompeu Beatriz – como sabe eu despedi-me do escritório e já estou à procura de emprego. Pode ficar com o Gonçalo que eu nunca mais vou interferir. Agora com licença – Beatriz ia fechar a porta.


- Beatriz calma… Deixe-me falar…


- Tenho pressa!


- Eu não estou com o Gonçalo…


- Como? - Beatriz segurou a porta.


- Ele disse que não queria ficar comigo. Não me queria enganar.


Beatriz ficou sem reacção.


- Tenho pena… Não sei o que dizer…


- Não quero que digas nada… Acho que te devia contar…


- Isso agora também não me vai ajudar. Já ficou bem claro que não posso ficar com ele.


- Porque? – Perguntou Margarida.


Após não obter resposta Margarida continuou.


- Quando perguntei porque ao Gonçalo… Ele respondeu-me que era por tua causa.


- Pior para ele! Não quero ter mais nada com ele… Nunca mais - disse Beatriz a chorar.


- Beatriz estás a mentir… E tu sabes disso… Quando aqui cheguei a primeira coisa que me perguntas-te foi se o Gonçalo estava bem… Achas que foi por acaso? Por favor Beatriz! O teu coração está a falar contigo! Tens coragem de o ouvir?


Beatriz olhou para Margarida e abraçou-a.


- Desculpe por tudo – disse Beatriz a chorar.


- Sabes o que é que vale a pena ser vivido?


- Não.


- O amor! Sabes qual é o motivo pelo qual vale a pena morrer?


- Não.


- A resposta é a mesma: o amor. Eu vivi-o com a pessoa certa por completo… Agora é a tua vez!


Beatriz enchogou as lágrimas.


- Ele tem estado na casa do Pedro desde do teu despedimento. - Disse Margarida - Vai ter com ele!


- Obrigado por tudo…


- Não agradeças! Vai…


 


Quando entrou no carro Margarida começou a chorar. O que acabara de fazer estava certo. Mas não era o que o seu coração pedia. Bateram no vidro:


- A senhora está bem? – Perguntou uma pequena criança que por ali passava.


- Estou… Estou… Obrigado…


- Como te chamas?


- Margarida, o meu nome é Margarida.


- Nome de flor!


Margarida riu.


- E tu como te chamas?


- Gonçalo.


- Gosto muito desse nome, sabias? Onde estão os teu papás?


- O meu papa está ali…


- Gonçalo que andas a fazer? – Perguntou o senhor aflito – Volta aqui.


- Estou a falar com esta senhora…


- Boa tarde! – comprimentou o homem - Já disse que não quero que andes a falar com desconhecidos - disse para o menino.


- Mas a senhora estava triste – disse o menino.


- É verdade, ele veio só saber se eu estava bem. Obrigado meu amor, mas olha… O papá tem toda a razão. Não voltes a fazer isso. Está bem?


- “Tá” bem…


- Ouvis-te a senhora - o pai virou-se para Margarida - Sérgio! Muito prazer...


- Margarida…


- É tão bonita não é papá? - Disse o menio - Faz lembrar a mamã…


- Gonçalo então? – Repreendeu Sérgio.


- Oh não faz mal! - Disse Margarida - Obrigado Gonçalito… Olha onde está a tua mamã.?


- Está com Jesus…


- Ai desculpe… Não sabia! - disse Margarida muito aflita.


- Não se preocupe, é natural…


- Aceita um café? – Perguntou Margarida a Sérgio.


- Seria óptimo - respondeu ele depois de pensar um pouco.


 


O amor está onde menos se espera. E a flecha do cupido nunca pára de pregar as suas partidas.


 


Seguindo o concelho de Margarida, Beatriz foi ter com Gonçalo. Tocou à porta. Por ser tão cedo, Gonçalo recebeu-a de roupão.


- Quem é?


- Sou eu Gonçalo…


- Beatriz? – Perguntou Gonçalo assustado – Que fazes aqui?


- Vim falar contigo...


Gonçalo ficou paralisado.


- O que vou dizer é capaz de te assustar… Por isso ouve-me até ao fim. Eu disse que não te queria... Mas é mentira! Eu quero-te Gonçalo! Quero-te muito… Quero viver contigo numa casa... Quero acordar todos os dias ao teu lado... Quero olhar para o teu rosto e sentir que és meu… Quero beijar a tua boca todos os dias... Vamos esquecer o passado, não vamos pensar mais no futuro, vamos apenaas viver o presente... Juntos! Eu amo-te…


- Beatriz eu… – Gonçalo não soube o que dizer.


- Não precisas de responder… Tinha-te de contar...


Alguém aproximou-se da porta.


- Quem é Gonçalo? – Perguntou Catarina a segurar uma toalha.


- Catarina? – Perguntou Beatriz muito admirada - Não! Por favor não me digas que...


- Amiga eu posso explicar – disse Catarina assustada.


- Esquece não quero ouvir!


Beatriz saiu a correr.


- Beatriz espera! – disse Gonçalo partindo atrás dela.


 


Definitivamente: Nothing lats forever!


 


The end


 




"Há apenas quatro questões na vida.


O que é sagrado?


De que é feita a alma?


O que vale a pena ser vivido


e qual é o motivo pelo qual vale a pena morrer?


A resposta é a mesma para todas:


apenas o amor. "
 

publicado por pedro às 21:54
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